19 dezembro, 2006

Não há paciência para vegetarianos

Quando ouço falar em vegetarianismo fico verde! Cada um sabe da sua vida, e, pessoalmente, até acho que o mundo andaria um pouco melhor se muito mais pessoas fossem vegetarianas. O que me irrita são:
- O moralismo/proselitismo dos vegetarianos
- O uso recorrente de frases como “está cientificamente comprovado que a dieta vegetariana é mais saudável”.
- A ideia peregrina de que uma galinha ou uma vaquinha é um ser vivo, mas uma couve ou uma beringela não.

Vou falar de cada um em mais detalhe:


Sim, acho que comemos carne a mais. Acho que isso é obviamente mau para a saúde (e isto sim, está cientificamente demonstrado). Mas detesto que me venham dizer que comer uma bela duma costeleta é um gravíssimo erro moral. Se eu quisesse sentir culpa ia à missa ao Domingo. Uma coisa é promover um estilo de vida e uma filosofia, outra é dizer, como no álbum dos The Smiths, “Meat is murder”.

Enquanto cientista (wannabe) revolto-me com o uso da ciência para fins de divulgação de produtos, ideias ou ideologias. Deixem lá estar a ciência no seu cantinho e lembrem-se que a ciência baseia-se sempre na presunção de dúvida e na falsificabilidade. Além disso, o que está provado (ou é aceite como certo até prova em contrário) é que o ideal é ter uma dieta rica em vegetais com cerca de 3 refeições de carne por semana, aliás, aprendi isso na Escola Primária, uma coisa chamada Roda dos Alimentos. Li e reli muitos argumentos acerca do quão saudável é a dieta vegetariana, mas nada me convence que alimentação sem dois aminoácidos essenciais (que não existem no reino vegetal) e sem o input proteico da carne animal (ou pelo menos produtos derivados de animais como leite e ovos) é saudável. Assim como, logicamente, não é muito inteligente fazer como nós portugueses que comemos carne dia sim dia sim.

Finalmente, quando leio coisas tipo “será que não se apercebem que estão a comer um ser vivo desnecessariamente” a minha alma de biólogo enfurece-se. Então as plantas são o quê? Minerais? De seguida vem o argumento repetido ad nauseum de que as plantas não tem sistema nervoso e logo não sentem dor. Obviamente quem diz isto nunca estudou biologia. As plantas tem um intricadíssimo sistema de comunicação intercelular que lhes permite que as raízes comuniquem com as folhas e as flores com outros órgãos, etc. Este sistema baseia-se na emissão de sinais químicos, como o etileno, hormonas vegetais e metabolitos secundários duma diversidade e riqueza que não são se encontra nos animais. Se uma parte da planta é afectada, digamos, pelo arrancar duma folha, por exemplo, são emitidas pelas células do local onde a “ferida” é feita uma série de sinais químicos que viajam pelos vasos do floema até outras partes da planta e desencadeiam uma série de respostas fisiológicas (Ex: encolher das folhas em algumas mimosas) e metabólicas (Ex: produção imediata de compostos tóxicos). A variedade de respostas é tão grande que constitui uma das mais prolíficas áreas de investigação científica. Sinais químicos. O que é a dor nos mamíferos se não uma consequência da actividade química de certos compostos denominados neurotransmissores? Quem se atreve a dizer que uma planta não sente dor?

Claro que aqui entra em jogo um fenómeno psicológico interessante: quanto mais parecido comigo melhor é! Ou seja: é absolutamente condenável e inadmissível tirar a vida a um ser humano. Não é condenável por lei, mas muito eticamente reprovável, tirar a vida a um animal doméstico como um cão ou um gato. É ainda eticamente reprovável tirar a vida a um mamífero como uma vaca ou um porco, mas se o mamífero for um rato já não há crise. Matar uma mosca já não é de todo eticamente reprovável, e desenraizar uma abóbora é absolutamente indiferente.

O vegetarianismo (tal como apregoado pelos activistas da prática) é um dos últimos bastiões do antropocentrismo, a ideia de que o Homem é o centro do Universo. Quando Darwin disse que o Homem não era feito à imagem de Deus mas descendente do macaco foi um escândalo (ainda é hoje para muita gente). A Evolução ainda é estudada assim: micróbio, alga, peixe, anfíbio, dinossauro, mamífero, Australopiteco, Neandertal, Homem! E todas as outras espécies que existem no nosso planeta e que tal como nós evoluíram de formas tão ou mais espantosas como a nossa?! Antropocentrismo. O Homem vê o mundo à sua imagem e semelhança. Por isso é que não é correcto matar animais, mas plantas tudo bem. Mesmo alguns vegetarianos afirmam que não comem carne, mas não tem problemas com o peixe!!! Não havia peluches com forma de peixe quando éramos crianças. Mas aposto que desde o Finding Nemo muitos vegans-rastafaris-contra-cultura (e eu gosto de todas estas tribos) deixaram de comer peixinho.

Com isto não quero dizer que concorde com o excesso de peso que a carne tem na nossa alimentação e que feche os olhos à maneira desumana como os animais são tratados nos nossos matadouros industriais. Ao menos antigamente, e quem viu uma matança do porco sabe disso, havia um respeito grande pelo animal que se criou durante anos. É preciso lutar por um tratamento mais ético dos animais que ingerimos, desde as condições em que crescem até à forma como morrem. Isto é uma atitude completamente diferente de “vamos todos deixar de comer carne”. É como dizer “vamos todos deixar de cagar porque a merda polui os rios”. Evolutivamente, a espécie humana é omnívora, predominantemente vegetariana, sem dúvida, mas omnívora.

Mesmo o argumento de que uma dieta vegetariana é mais ecológica talvez não seja muito errado, mas façam as contas a quantos hectares de terra seriam precisos para alimentar a população humana com base na agricultura. Além de que a plantação massiva de soja já está a ser responsável pelo abate duma vasta área na Amazónia e levou já a deslocação forçada e consequente suicídio colectivo da tribo Guarani-Kaiowa. Enfim, pasto para as vaquinhas continua a ser a principal razão para a destruição de florestas, mas sinceramente acho que o problema aqui não é tanto a forma de alimentação mas o excesso populacional humano.

Vá, lutemos pela dignidade no tratamento dos animais, por uma alimentação saudável com muitos mais vegetais, mas sem cruzadas e sem confundir valores e conceitos.

E já agora, Gnoma, estou solidário com a tua falta de assentos ortográficos nesses malditos teclados britânicos =D e espero que não te chateies... eu gosto é de ser do contra ;)

04 dezembro, 2006

Tempo

É uma coisa fantástica o tempo cronológico... E é algo que eu acredito veemente que não é pré-existente.

A mente humana é algo incrível! Foi alguém que se lembrou de dar nomes às coisas para as identificar, houve um ser que resolveu proteger os seus pés contra as intempéries e talvez tenha sido um deus humano que resolveu dar algum valor prático à cevada... E tudo isto criado apenas por necessidade. Mas apesar destes feitos, não foi nenhum de nós que moldou os continentes como eles estão ou pôs a Lua onde esta está, embora esteja tudo bem organizadinho... Onde entra o Tempo nisto tudo? Simples... O que é o Tempo?

Segundo o belo do meu grande amigo de vários volumes, Tempo é:
  • Duração limitada das coisas
  • Duração limitada, em oposição ao conceito de eternidade
  • A propriedade que as coisas têm de coexistirem ou de se sucederem, considerada objectivamente
  • Sucessão de dias, horas, momentos
and so on, and so on... Ora bem, a minha análise disto... Comecemos:
  • Vida
  • Vida
  • Será que há alguém que perceba este terceiro ponto?!
  • Rotação e translação da Terra
Por isso... O que é o Tempo? Fomos nós que inventamos a Vida? Não... Espero eu... Rotação e translação da Terra? Gosto de pensar que foi algo superior e obscuro, tipo os bichos no fim do M.I.B., que resolveu divertir-se e que não fomos nós que críamos estes movimentos. Portanto, o Tempo... Pois...

Porque existem anos bissextos? Segundo sei é uma correcção há rotação da Terra... AH HA!! Logo o Tempo não é certo como a matemática! E porque se fizeram contas para se saber em que ano nos encontrámos presentemente? U-U!! Quer dizer que isto não está contado desde o início! Parece que foi inventado a certa altura...

E porque dizemos nós que não temos Tempo para nada? Isso significa que o desperdiçamos... Porque o Tempo está cá! E se não temos Tempo para fazer as coisas que queremos fazer então é porque usamos esse Tempo que passou em outras actividades que não interessavam. Por isso a desculpa do Tempo... Que se diga em vez disso que se fizeram opções, tipo, showcase dos The Gift ou fim-de-semana longe de casa para "espairecer", ou um ou outro! Não foi por falta de tempo que não fui ao showcase... Foi uma opção! E aí sim, fico contente porque optei e calhou bem... E sei que tenho Tempo para outro showcase noutra altura, noutro momento, noutro Tempo!

E o que é o Tempo? Aí está... Para mim é apenas uma soma constante que o Mr Big Ben orienta e todos seguem! Mas que não é nada de concreto... Só um desejo de organização, algo criado, aceite e seguido.


Eu penso assim...


Porque o faço? Porque tenho Tempo... Hummmm... OK, eu vou tentar arranjar vida própria...